"Não
quem diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos
céus, mas...".
Eis aqui os sinais de uma falsa religião. Invocar
o Senhor, rezar de boca para fora, sem praticar a
sua vontade. Deste jeito a religião não
salva. Mesmo que Jesus nos tenha dado de graça
e por graça a salvação, precisamos
continuar a buscá-la todos os dias. Somos salvos
sim, mas não ainda. A salvação
não depende dos nossos méritos, mas
também não a ganhamos sem nada fazer.
Tem quem diz: sou católico, vou sempre à
Igreja; nada fiz de mal a ninguém.
Tem quem diz ter feito milagres, profecias, expulsão
de demônios em nome de Jesus. Mesmo assim Jesus
não os reconhece como seus discípulos.
Discípulo não é o que fala, mas
aquele que escuta, aquele que obedece e faz a vontade
do Pai.
Duas casas: uma construída sobre a rocha, a
outra sobre a areia.
As duas parecem iguais, mas frente às tempestades,
aos ventos fortes, e às enchentes, uma resiste
e a outra não. Poderíamos comparar os
dois tipos de casas a casais.
No matrimônios quando dois casam são
iguais: se amam, prometem-se juras de amor e fidelidade
à prova de bala e, notemos, são sinceros.
No começo todos os casamentos vivem o dia a
dia na espectativa emocionante da realização
de um sonho, até que alguma decepção,
alguma contradição subentra naquele
relacionamento e revela uns pontos fracos do casal.
Se o amor pelo outro não for profundo
nunca o outro será o único no mundo.
O amor-paixão não resiste, porque não
tem alicerce profundo e daí vai vivendo-se
a relação a dois de qualquer jeito,
normalmente do pior jeito. Acontece
> com casais e com solteiros: sempre chega a crise,
para colocar à prova o amor.
> com jovens: quando descobrem Jesus. Sentem tanta
energia e paixão por Ele que começam
com muito gás num grupo paroquial, mas basta
uma incompreensão, uma decepção,
uma contradição ou uma traição
e aí abandonam a comunidade, Cristo e a sua
Igreja, revestidos de razões. São casas
construídas sobre a areia. Nas tempestades
de vez em quando uma árvore tomba, não
porque os ventos eram fortes, mas porque suas raízes
foram enfraquecidas por um verme. A resistência
de uma casa, de uma pessoa, de um casamento está
sempre dentro deles, naquilo que não se vê.
O amor não é sempre uma magia que desfaz
os problemas ao aparecerem.
Construir sobre a areia
> exige menos esforço, não precisa
preocupar-se com 10 mandamentos, mas escolhe o que
quiser.
Os noticiários, a acada dia, nos dão
resultados imediatos de casas construídas em
cima da areia:
tira-se a vida de um jovem porque chamou o outro de
otário, tira-se a vida de uma filha por 2000
reais, tira-se a vida dos pais que pediam ao filho
de procurar um emprego. Esses assassinos são
casas construidas sobre a areia, sem valores. Não
existe Deus nessas relações que nos
deixam sem palavras.
> é crer num ídolo que nós
podemos dominar e manipular, porque feito pelas nossas
mãos. Isto é mais fácil do que
crer num Deus que nos fez com as sua mãos,
à sua imagem. A areia representa a instabilidade,
a falta de firmeza, de personalidade, de perseverança.
As coisas hoje estão cada vez mais provando
que a partir do momento de se deixa a "Rocha
que é Deus, Jesus, a Igreja", nós
hospedamos na nossa vida muitos ídolos que,
como verdadeiros virus, atacam nossos valores, nossas
resistências e deixam nossas vidas sob constante
ameaças de morte.
A Igreja é formada por "pedras vivas colocadas
sobre a pedra angular"
que é Jesus Cristo." Sobre esta
rocha edificarei a minha Igreja." (Mt 16, 18).
Somos pedras de construção ou pedras
a serem arremessadas contra os outros. Sou a rocha
que Jesus procura para construir a sua Igreja hoje?
Viver na Igreja não é ficar do lado
de fora apontando suas incoerências ou os defeitos
dos homens de Igreja.
Padre BRUNO BRUGNOLARO
E-mail: bbrunone41@gmail.com
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