1°.
“Corrigir o irmão que peca contra nós".
A comunidade não pode aceitar qualquer erro
das pessoas , mas ela deve crescer no amor e na verdade.
Quando alguém nos ofende a primeira coisa a
fazer não é julgar, virar as costas,
não falar mais com a pessoa ou o excluí-la
da nossa amizade, mas perdoar para continuar a amar.
Para Jesus cada membro da comunidade é importante.
Se se perde um a comunidade, como o bom Pastor larga
os 99 justos e vai atrás da ovelha perdida.
Ao corrigir alguém devemos estar preparados
a também aceitar a correção.
2°.
Corrigir os filhos
Renunciar sistematicamente de corrigir é um
dos piores serviços que podemos fazer com os
filhos,
sobretudo quando se tem medo de se tornar antipático
ou perder o filho ou filha.
Hoje em dia na educação dos filhos permite-se
tudo ou alguma coisa ou nada. Os filhos já
querem tudo e isso deixa os pais confusos com a educação
que tiveram onde havia mais rigor. Percebem que o
mundo atual não parte de valores, mas de exigências
que entraram na família através dos
MCS (Meios de Comunicação Social). Daí
não se sabe mais o que corrigir e menos ainda
se sabe, se corrigindo, estamos fazendo um bem para
os filhos ou um estrago, porque uns entendem e aguardam
deixando para mais tarde o que querem enquanto outros
não querem entender e aí começa
dentro das famílias um verdadeiro enfrentamento.
Tinha razão aquela professora de Madrid quando
escreveu: somos a última geração
que obedeceu aos pais e somos a primeira geração
que obedecemos aos filhos e temos medo deles (pag.
2). Muitos pais cansaram de corrigir os filhos e por
isso deixaram o barco correr sem rumo porque os filhos
não sabem ainda o que é disciplinar-se
e os pais não querem estressar demais os filhos.
O problema é que queremos evitar que os filhos
cometam qualquer erro enjaulando-os e ajudando-os
com a força dos valores do nosso tempo a evitar
todo tipo de mal. Temos medo que errem e por isso
erramos com por causa deles. Uma educação
sem liberdade não consegue resultados para
o futuro, mas só para o presente imediato e
com muito mal-estar de ambas as partes.
A correção fraterna,
não pode ser uma autodefesa
ou uma imposição do passado para o presente
e nem simplesmente um ato de acusação.
Jesus no evangelho de hoje fala que corrigir é
um ato que deve acontecer dentro da comunidade, um
ato que parte da verdade e do amor e deve ser gradual
e discreto:
> primeiro escutar a pessoa sozinha sem julgá-la
ou condená-la. O que é escutar?
* Se já decidi que você errou e está
errado, estou escutando?
* Se nunca mudo de opinião, eu estou escutando?
* Se sempre tenho respostas prontas para todas as
perguntas stou escutando?...
* Se o meu problema é não perder a amizade
por falar a verdade estou realmente educando?.
A verdade não destroi a amizade desde que eu
aceite de ser questionado
Não é importante quem vence, quem tem
razão... Onde tem alguém que vence tem
sempre alguém que perde e quem perde sentir-se-á
humilhado e revoltado.
> se não te escutar chama umas testemunhas
e se ainda não escutar diga-o à comunidade
Numa
história se conta que pediram a um Rabino:
“Até quando devo corrigir o meu irmão.
E o Rabino respondeu com 4 perguntas: “Quanto
tempo precisa para construir uma casa?”. O discípulo
respondeu: “Un ano”. “
Quanto tempo precisa para fazer uma árvore?
”. “Cinco anos”. “Quanto tempo
precisa para fazer um filho?”. “Quinze
anos”. “E quanto tempo precisa para destruir
tudo isso?”. “Um instante!”. “Precisamos
de tanto tempo para construir, basta um instante para
destruir”. A vontade de acertar não justifica
os nossos erros.
Constatação Lamentável
Mônica Monasterio (Madri-Espanha)
"Somos a última
geração de filhos que obedeceram a seus
pais e a primeira geração de pais que
obedecem a seus filhos".
Somos
as primeiras gerações de pais decididos
a não repetir com os filhos os erros de nossos
pais. E com o esforço de abolir os abusos do
passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos,
mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que
já houve na história.
O grave é que estamos lidando com crianças
mais "espertas", ousadas, agressivas e mais
poderosas do que nunca.
Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que
queríamos ter, passamos de um extremo ao outro.
Assim, somos a última geração
de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira
geração de pais que obedecem a seus
filhos.
Os últimos que tiveram medo dos pais e os primeiros
que temem os filhos.
Os últimos que cresceram sob o mando dos pais
e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E
o que é pior, os últimos que respeitaram
os pais e os primeiros que aceitam que os filhos lhes
faltem com o respeito.
Na medida em que o permissivo substituiu o autoritarismo,
os termos das relações familiares mudaram
de forma radical, para o bem e para o mal.
Com efeito, antes se consideravam bons pais, aqueles
cujos filhos se comportavam bem, obedeciam as suas
ordens e os tratavam com o devido respeito.
E bons filhos, as crianças que eram formais
e veneravam seus pais.
Mas, na medida em que as fronteiras hierárquicas
entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo,
hoje, os bons pais são aqueles que conseguem
que seus filhos os amem, e, ainda que pouco, os respeitem.
E são os filhos que, agora, esperam respeito
de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem
as suas idéias, seus gostos, suas preferências
e sua forma de agir e viver.
E, além disso, os patrocinem no que necessitarem
para tal fim.
Quer dizer, os papéis se inverteram, e agora
são os pais que têm de agradar a seus
filhos para ganhá-los e não o inverso,
como no passado.
Isto explica o esforço que fazem hoje tantos
pais e mães para serem os melhores amigos e
"tudo dar" a seus filhos.
Dizem que os extremos se atraem.
Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de
medo de seus pais,
a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo
ao nos ver tão débeis e perdidos como
eles.
Os filhos precisam perceber que, durante a infância,
estamos à frente de suas vidas, como líderes
capazes de sujeitá-los quando não os
podemos conter e de guiá-los enquanto não
sabem para onde vão.
Se o autoritarismo suplanta, a permissividade sufoca.
Apenas uma atitude firme e respeitosa lhes permitirá
confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas
porque vamos à frente liderando-os e não
atrás, os carregando e rendidos à sua
vontade. É assim que evitaremos o afogamento
das novas gerações no descontrole e
tédio no qual está afundando uma sociedade
que parece ir à deriva, sem parâmetros
nem destino.
Os limites abrigam o indivíduo, com amor ilimitado
e profundo respeito.
Padre BRUNO BRUGNOLARO
E-mail: bbrunone41@gmail.com
|