A
paciência de Deus: esperar o momento da maturidade
(juizo final)
Não cabe a nós ter que separar o grão
bom do joio: este é direito de Deus.
O joio não deve ser arrancado, eliminado, mas
deixado crescer, para que ele também tenha
a chance de mudar e tornar-se trigo.
O agir de Deus é bem diferente do nosso que
é feito de intolerância e rigidez.
Crescer juntos. Não é fácil ter
em casa um pai que bebe ou um irmão que rouba
para pagar dívidas por causa da droga e ter
paciência ou ser como aquela mãe que
vendeu o que tinha para pagar uma dívida do
filho, ameaçado de morte. Aos tempos de Jesus
havia:
> os Fariseus, que pretendiam serem santos vivendo
separados dos pecadores.
> haviam grupos que deixavam a cidade para viverem
no deserto uma vida pura. (Essênios)
> João Batista anunciava que o Messias teria
separado o grão da palha (Mt 3,12).
> Quando Jesus veio disse: ainda não.
> Jesus não anda separado dos pecadores,
sendo centro de críticas impiedosas dos Fariseus:
anda,conversa e come com os pecadores, não
os abandona mas os perdoa.
Quem semeou no campo da nossa vida?
No campo da nossa vida tem semente boa e joio, quem
os semeou?
Muita gente fez isso e continua fazendo-o.
Nossos pais que sempre gostaram muito de nós
além de coisas boas semearam também
seus medos, suas ansiedades, suas inseguranças,
incapacidade de arriscar.
Além dos nossos pais, outras pessoas semearam
em nós: nossos professores, nossos vizinhos,
amigos e inimigos, sacerdotes, irmãs religiosas,
os programas de TV, o meio ambiente, a moda e o modismo,
a Internet, às vezes com cara de Infernet,
as más companhias, os drogados, os viciados,
os ignorantes, os que vivem se valores...
Apesar de tudo isso devemos aceitar este nosso campo
do jeito que está, mas ao mesmo tempo agir
em vista de uma grande mudança, transformação
e conversão.
Não devemos dividir o mundo em bons e ruins.
Não temos nenhum direito de nos dividir entre
perfeitos e imperfeitos porque todos precisamos uns
dos outros.
Vejam esta história: "Um dia o diabo quis
competir com Deus criando o homem perfeito.
Mas depois de tê-lo criado olhou bem para ele
e começou a desconfiar de alguma coisa. Tinha
os olhos e podia ver coisas escandalosas e feias.
"Que perigo", disse ele e os arrancou para
não pecar com os olhos. Mas tinha as mãos
que poderia utilizar para brigar ou matar. "Que
perigo" pensou o diabo, melhor sem as mãos
e lhas tirou. Depois percebeu que o homem tinha a
mente e com a mente podia tornar-se cruel, mentir,
enganar.
Por segurança lhe tirou a mente junto com tudo
aquilo que podia ter na cabeça porque nunca
se sabe o que poderia aprontar.
No fim percebeu que o homem tinha um coração.
Convenceu-se ser esse o perigo maior.
"Um coração!? Com o coração
poderia entregar-se às paixões desenfreadas,
entregar-se à ira, ou apaixonar-se por pessoas
erradas, ou amar de uma forma perversa. O coração
é perigoso demais. Aí o diabo pensou
que para o bem do homem deveria tirar também
o coração". Ficou um homem finalmente
perfeito, porém o diabo percebeu que o homem
era reduzido a nada e que para salva-lo o tinha matado.
Moral da história: não precisa eliminar
os inimigos, mas achar os verdadeiros amigos.

Padre BRUNO BRUGNOLARO
E-mail: bbrunone41@gmail.com
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