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ABAIXO AS MÁSCARAS




A identidade de uma pessoa se constrói de autênticas relações consigo mesmo e com os outros. Ninguém melhor do que nós mesmos para avaliar as razões pelas quais fazemos ou deixamos de fazer tal ou qual coisa porque e porque adotamos estas posturas e estes comportamentos e não aqueles.

A questão pode ser refletida levantando-se o problema das máscaras.
Podemos dizer que – no plano psicológico – cada um de nós tem um verdadeiro rosto recoberto por espessa máscara, ou melhor, uma multidão de máscaras.

Nosso verdadeiro todo, composto de um corpo, de um espírito e de um coração desaparece, mais ou menos, sob o acúmulo dos tabus, das injustiças, das mesquinharias, das crueldades de qualquer sociedade.
À custa de manipular as máscaras para parecer defender-se ou conquistar, para “estar na moda”, para enganar a idade, a cultura, as paixões e instintos, corremos o risco de não mais encontrar a autenticidade, única paz possível e essencial para nosso eu íntimo, fatigado de ser dividido e obrigado a múltiplas máscaras, a inúmeras vidas. Afirma um poeta que, quando a máscara morre, algo de um ser também se extingue.

Teria razão se esse “algo” que se extingue apenas fosse um “simulacro”, uma posição. Destruída a máscara, uma sublime busca se inicia, nossa existência humana torna-se um pouco menos infiel à absoluta perfeição de nossa essência, de nossa alma.

Ah! Aquela máscara endurecida pelo tempo, à qual me habituei, à qual os outros se habituaram. Bem sabia que não poderia ficar para sempre escondido atrás daquela mentira, tela protetora e provisória. Com efeito, corremos o risco de ficar prisioneiros de tal personagem construído anteriormente. Deixamo-nos envolver pela trama e, pouco a pouco, com o passar dos dias, tornamo-nos o que somos para os outros: o pândego, a garota fácil, o boa vida, o sabichão, o incansável... Um dia essa máscara torna-se espessa, gruda na pele!
Instalei-me em algo falso. Ontem era o olhar dos outros a julgarem-me nisso ou naquilo. Hoje, descubro que fui levado a sustentar em mim este personagem que não sou eu. E é doloroso porque não consigo mais desembaraçar-me dela. Não me sinto à vontade.

Vamos! Chega de fingir! Você não é assim, não está ao natural. Por que criar um tipo que não é o seu? Não é realmente o seu! Essa exigência com a aparência e a exterioridade destrói o que realmente alguém é.
Mas, quem pode adivinhar? Quem poderá crer que por dentro você é diferente? O que você mais deseja dos outros em relação a você que o descubra verdadeiramente ou se contente com aquilo que você mostra? Todo mundo sabe as implicações do conhecimento. Será por isso que você prefere afirmar e confirmar aquilo que os outros apenas vê em/de você: gestos, riqueza, luxo, carro, casa, bens, amigos “bacanas”, cultura letrada, viagens internacionais, religião...

Não só as pessoas, mas a vida espera muito mais de você!
É inútil fingir a vida toda. Este tipo de defesa é uma fuga e só conduz a comportamentos esquizofrênicos; patologia do corpo e da alma. Porque, mesmo sob disfarce, ninguém consegue esconder o que realmente é, pelo menos de si mesmo. Por isso, para maior saúde e integridade a grande dica é esta: chega de fingir
A autenticidade, segundo a Palavra de Deus vem da integridade da resposta da pessoa ante qualquer coisa ou situação, desde a mais banal até à mais complexa: “Diga apenas sim, quando é sim e não quando é não.

O que você disser além disso, vem do maligno” (Mt 5,37); “Sobretudo, irmãos, não jurem: nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outra coisa; que o sim de vocês seja sim e que o não se não, para não se exporem ao julgamento” (Tg 5,12); “Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão! Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça...” (Mt 23,27-28).

Somos o que somos em qualquer situação ou lugar. A verdade sobre nós é tudo. Não é uma simples escolha, mas uma necessidade. Se não somos autênticos, comprometemos a nossa humanidade. Abaixo as máscaras! No palco da vida não há necessidade de disfarces.





Padre Edivaldo Pereira dos Santos
E-mail: diditaruma@hotmail.com
Paróquia de Tarumã - SP





















































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