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ESTÁ ERRADO NÃO MANTER A PALAVRA



“Palavra empenhada é palavra irrevogável”! Parece-me que esta máxima já não é tão unânime quanto antigamente. Com boa memória pode-se recordar os contratos de boca; os juramentos; as fianças, o fio de bigode... Como a palavra pesava! A palavra tinha peso de lei.

Por que se tornou necessário o apelo para reforçadores como “Juro por Deus”, “Quero ver minha mãe morta”, “quero que Deus me cegue”, para dar credibilidade à palavra? Aonde foi parar o valor da palavra?
Pelo que tudo indica, o valor da palavra foi parar aonde escorregou a hombridade e a honradez; aonde desembocou a promessa; aonde tombou o juramento; aonde caiu o compromisso; aonde ficou esquecida a verdade; aonde esmoreceu o respeito...

Neste caso concreto, então, não é a palavra que perdeu sua força e seu valor, mas somos nós que, talvez, tenhamos perdido o brio. É nisto que se concentra a gravidade da questão porque, um povo “sem palavra” é um povo “sem moral”, sem razões, sem cultura, sem história.

Não é preciso generalizar mas, a falta de palavra de alguns, principalmente dos que são constituídos em poder e autoridade, desmoraliza a todos porque, em ninguém mais se porá crédito. De fato é vergonhoso constatar que nem mesmo os documentos escritos (contratos, duplicatas, recibos...) e assinados são capazes de assegurar a palavra dada em nome próprio, de instituições e de outrem.

Por contágio, contaminação, influência ou má conduta, até mesmo as pessoas irreprováveis podem se tornam cúmplices ou da estirpe dos sem palavra. É uma pena!
Toda palavra será julgada pela Palavra que é o Cristo. Nele não há mentira e nem sombra de erro. “No começo a Palavra já existia (...) a Palavra era Deus. Tudo foi feito por meio dela e, de tudo o que existe, nada foi feito sem ela. A Palavra estava no mundo, o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não a conheceu” (1Jo 1-4.10).

Por isso, “que nenhuma palavra inconveniente saia da boca de vocês; ao contrário, se for necessário, digam boa palavra, que seja capaz de edificar e fazer o bem aos que ouvem” (Ef 4,29).
“Não deixe de falar no momento oportuno, e não esconda a sua sabedoria, porque é pelo falar que se reconhece a sabedoria, e é pela palavra que se percebe a instrução. Não contradiga a verdade, mas envergonhe-se de sua própria ignorância. Não se envergonhe de confessar os próprios pecados, e não se oponha à correnteza de um rio. Não se submeta a um insensato, e não seja parcial em favor de um poderoso. Lute até à morte pela verdade, e o Senhor Deus combaterá por você. Não seja arrogante no falar, nem preguiçoso e covarde no agir. Não seja um leão para a sua família, nem suspeite de seus dependentes. Não tenha a mão aberta para receber e fechada na hora de dar” (Eclo 4,23-31).

“Vocês ouviram também o que foi dito aos antigos: 'Não jure falso', mas 'cumpra os seus juramentos para com o Senhor'. Eu, porém, lhes digo: não jurem de modo algum: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o suporte onde ele apóia os pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. Não jure nem mesmo pela sua própria cabeça, porque você não pode fazer um só fio de cabelo ficar branco ou preto. Diga apenas 'sim', quando é 'sim'; e 'não', quando é 'não'. O que você disser além disso, vem do Maligno” (Mt 5,33-37).

“Sobretudo, irmãos, não jurem: nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outra coisa; que o "sim" de vocês seja sim, e que o "não" seja não, para não se exporem ao julgamento” (Tg 5,12).
“Deus é testemunha fiel de que a palavra que dirigimos a vocês não é ‘sim e não.’ De fato Jesus Cristo, o Filho de Deus, que eu, Silvano e Timóteo anunciamos a vocês, não foi ‘sim e não’, mas unicamente ‘sim.’ Todas as promessas de Deus encontraram nele o seu sim; por isso, é por meio dele que dizemos ‘Amém’ a Deus, para a glória de Deus. Quem nos fortalece juntamente com vocês em Cristo e nos dá a unção é Deus. Deus nos marcou com um selo e colocou em nossos corações a garantia do Espírito” (2Cor 1,18-22)
“Sejam praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes, iludindo a si mesmos. Quem ouve a Palavra e não a pratica, é como alguém que observa no espelho o rosto que tem desde o nascimento; observa a si mesmo e depois vai embora, esquecendo a própria aparência. Mas, quem se concentra numa lei perfeita, a lei da liberdade, e nela continua firme, não como ouvinte distraído, mas praticando o que ela manda, esse encontrará a felicidade no que faz” (Tg 1,22-25)

O Julgamento é este: se não tomarmos cuidado, o que foi construído pela PALAVRA poderá ser destruído pela palavra.





Padre Edivaldo Pereira dos Santos
E-mail: diditaruma@hotmail.com
Paróquia de Tarumã - SP





















































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