A presença e o amor de Deus é um fato
inquestionável! Mas, na prática, não
é isso o que sentimos. Vivemos questionando
a presença e a ação de Deus porque
nos sentimos sozinhos e abandonados. Na verdade, Deus
não está ausente e nem nos abandonou.
A sensação de ausência e abandono
é sombra (conseqüência) do individualismo
no qual estamos mergulhados. Sem perceber, fomos nos
distanciando de tudo e de todos. Distantes da ajuda
mútua, ficamos auto suficientes; afastados
da família, nos tornamos independentes; acreditando
só nó no dinheiro, ficamos prepotentes;
cercados de coisas, nos tornamos materialistas; isolados
do mundo, ficamos absolutamente sozinhos. Eis a dura
realidade!
A solidão não é simples sensação
é algo real; é algo humano. Mas, há
uma solidão que é condição
humana e uma solidão que é doença.
A solidão-condição-humana é
a nossa individualidade. Somos únicos e irrepetíveis.
Estamos no mundo para viver uma única vida
de maneira única. Precisamos uns dos outros,
vivemos em conexão solidária, mas, no
fim das contas, a vida que nos foi dada, depende de
cada um de nós. Ninguém pode decidir,
fazer escolhas, caminhar... e nem viver por nós.
Esta é a nossa solidão! É sadio
assumir esta solidão para vivermos em paz conosco,
com os outros e com Deus. Este é o saudável
processo de individuação!
A solidão-doença é fruto do individualismo.
O individualismo é armadilha mortal que dissolve
a esperança e resseca a alma. O individualismo
empurra para o abismo da solidão, em promessas
que nunca se cumprem. A solidão do individualismo
é a perda do sentido de tudo. É o vazio
total. É por isso que nos sentimos sozinhos
e abandonados, até por Deus. Mas, Deus não
nos abandona nunca. A cura da solidão-doença
só acontece quando a pessoa toma consciência
da própria individualidade: aprende que é
um indivíduo; aceita a própria existência;
assume a sua história e desafia-se pela Autonomia.
Isso significa passar do individualismo à individualidade.
Para quem resolveu viver pela, eis algumas indicações
da Sagrada Escritura.
Coloque-se na mão de Deus que não se
esquece de você (Is 49,14-16). “Sião
dizia: ‘Javé me abandonou, o Senhor me
esqueceu!’ Mas, pode a mãe se esquecer
do seu nenê, pode ela deixar de ter amor pelo
filho de suas entranhas? Ainda que ela se esqueça,
eu não me esquecerei de você. Veja! Eu
tatuei você na palma da minha mão; suas
muralhas estão sempre diante de mim.”
Como administradores dos mistérios de Deus,
não julguem nada antes do tempo, espere o Senhor
(1Cor 4,1-5). “Que os homens nos considerem
como servidores de Cristo e administradores dos mistérios
de Deus. Ora, o que se espera dos administradores
é que eles sejam dignos de confiança.
Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vocês
ou por qualquer tribunal humano. Nem eu julgo a mim
mesmo. É verdade que a minha consciência
de nada me acusa, mas isso não significa que
eu seja inocente: quem me julga é o Senhor.
Por isso, não julguem nada antes do tempo;
esperem que chegue o Senhor. Ele porá às
claras tudo o que se esconde nas trevas, e manifestará
as intenções dos corações.
Então, cada um vai receber de Deus o louvor
que lhe corresponde.”
Antes de mais nada faça, de cada decisão,
o princípio da escolha fundamental (Mt 6,19-21).
“Não ajuntem riquezas aqui na terra,
onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os
ladrões assaltam e roubam. Ajuntem riquezas
no céu, onde nem a traça nem a ferrugem
corroem, e onde os ladrões não assaltam
nem roubam. De fato, onde está o seu tesouro,
aí estará também o seu coração.”
Não deixe seu coração dividido.
Não dá para viver servindo a dois senhores
(Mt 6,22-24). “A lâmpada do corpo é
o olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro
fica iluminado. Se o olho está doente, o corpo
inteiro fica na escuridão. Assim, se a luz
que existe em você é escuridão,
como será grande a escuridão! Ninguém
pode servir a dois senhores. Porque, ou odiará
a um e amará o outro, ou será fiel a
um e desprezará o outro. Vocês não
podem servir a Deus e às riquezas.”
Tome consciência do que é indispensável
na vida, para manter-se na busca fundamental (Mt 6,25-34).
“Por isso é que eu lhes digo: não
fiquem preocupados com a vida, com o que comer; nem
com o corpo, com o que vestir. Afinal, a vida não
vale mais do que a comida? E o corpo não vale
mais do que a roupa? Portanto, não fiquem preocupados,
dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que
vamos vestir? Os pagãos é que ficam
procurando essas coisas. O Pai de vocês, que
está no céu, sabe que vocês precisam
de tudo isso. Pelo contrário, em primeiro lugar
busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e
Deus dará a vocês, em acréscimo,
todas essas coisas. Portanto, não se preocupem
com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã
terá suas preocupações. Basta
a cada dia a própria dificuldade.”

Padre
Edivaldo Pereira dos Santos
E-mail: diditaruma@hotmail.com
Paróquia de Tarumã - SP
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