Cegueira é limitação passível
de queda e descaminho!
A Sagrada Escritura costuma se referir à cegueira
como metáfora de desvio e infidelidade e denuncia:
cego é quem não quer ver!
Quem vive sem rumo e sem direção é
comparável a quem anda às cegas: perdido,
tateando no escuro, batendo cabeça, girando
às tontas e seguindo às apalpadelas.
Alguém que não sabe para onde vai!
É terrível não ter direção
ou ficar sem caminho! É como não ter
perspectiva, não ter sonho, não ter
esperança, não ter horizonte... é
perder o sentido da vida.
Os olhos nos permitem ver o mundo e contemplar a vida,
mas, somente enquanto estão assistidos pela
luz. A luz potencializa os olhos enquanto favorece
a visibilidade. A luz, que dissipa as trevas, torna
clara toda e qualquer realidade. Por um lado, tira
as coisas da obscuridade e, por outro, tira as pessoas
da ignorância, da mentira ou das meias verdades.
“Não há nada de escondido que
não venha a ser revelado, e não há
nada de oculto que não venha a ser conhecido”
(Lc 12,2).
A obra de Deus é pura irradiação
de sua sabedoria. Tudo o que Deus faz concorre para
a salvação do mundo. Deus criou tudo!
Seu primeiro ato criador foi fazer a luz e separar
o dia e a noite, usando como medida a própria
luz. “No princípio, Deus criou o céu
e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as trevas
cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre
as águas. Deus disse: ‘Que exista a luz!’
E a luz começou a existir. Deus viu que a luz
era boa. E Deus separou a luz das trevas: 5 à
luz Deus chamou ‘dia’, e às trevas
chamou ‘noite’”. (Gn 1,1-5).
Não nascemos para viver na obscuridade das
trevas, do erro e do pecado. Somos filhos da luz e,
esse deve ser o fato revolucionador de nossa história:
“Todos vocês são filhos da luz
e filhos do dia. Não somos da noite nem das
trevas. Portanto, não fiquemos dormindo como
os outros. Estejamos acordados e sóbrios”
(1Ts 5,5-6).
De fato, “A lâmpada do corpo é
o olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro
fica iluminado. Se o olho está doente, o corpo
inteiro fica na escuridão. Assim, se a luz
que existe em você é escuridão,
como será grande a escuridão!”
(Mt 6,22-23).
Ver é missão desejável dos olhos.
Entretanto, não basta ver. É necessário
enxergar! Ultrapassar medidas e limites; ir além
do previsível; suplantar o óbvio; galgar
as alturas; alcançar o infinito.
Somos cegos e, com urgência, precisamos recuperar
as vistas!
É possível sair da cegueira e recuperar
a capacidade de viver pela fé, de modo pleno,
como quem enxerga “pois, caminhamos pela fé
e não pela visão” (2Cor 5,7).
Jesus é luz! Somente com ele, por ele e nele,
podemos enxergar, em profundidade, todas as coisas;
tanto as da terra, como as do céu. “Eu
sou a luz do mundo. Quem me segue não andará
nas trevas, mas possuirá a luz da vida”
(Jo 8,12).
Jesus é a luz do mundo, mas, ao mesmo tempo,
e a saúde dos seus olhos! Se queremos acertar
a direção e recuperar o caminho, devemos
permitir que ele nos tire da cegueira.
A história do cego de nascença narrada
pelo evangelista João (Jo 9,1-41) traz grandes
iluminações para a vida, na fé
e, ao mesmo tempo, permite um novo olhar para a prática
religiosa; não mais baseada na lei pela lei,
mas, na lei do amor, traduzida como Salvação
de Deus. Leia esta narrativa!
Ninguém deve se dar por satisfeito, enquanto
não conseguir atingir a profundidade de quem
vê com o coração (‘porque
o essencial é invisível aos olhos’)
para enxergar pela fé. A mudança fundamental
é a seguinte: “Outrora vocês eram
trevas, mas agora são luz no Senhor. Por isso,
comportem-se como filhos da luz.
O fruto da luz consiste em toda bondade, justiça
e verdade. Saibam discernir o que é agradável
ao Senhor. Não participem das obras estéreis
das trevas; pelo contrário, denunciem tais
obras. Dá até vergonha dizer o que eles
fazem às escondidas. Porém, tudo o que
é denunciado, torna-se manifesto pela luz,
pois tudo o que se torna manifesto é luz. É
por isso que se diz: ‘Desperte, você que
está dormindo. Levante-se dentre os mortos,
e Cristo o iluminará.’ Estejam atentos
para a maneira como vocês vivem: não
vivam como tolos, mas como homens sensatos, aproveitando
o tempo presente, porque os dias são maus.
Não sejam insensatos; ao contrário,
procurem compreender a vontade do Senhor” (Ef
5,8-17).
Que os nossos olhos se abram para a verdade em Cristo!

Padre
Edivaldo Pereira dos Santos
E-mail: diditaruma@hotmail.com
Paróquia de Tarumã - SP
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