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O POVO QUE ANDAVA NAS TREVAS,
VIU BRILHAR UMA GRANDE LUZ
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Quando o tempo se cumpre, numa gravidez, a mulher dá à luz um(a) filho(a). Dar à luz não é, apenas, o fim de uma gravidez e o ponto final para as dificuldades vividas e as dores sentidas. Dar à luz é um objetivo gestacional, uma meta a seguir, uma decisão fundamental, um projeto de vida, uma necessidade de nascimento.

Ser dado à luz é uma expressão muito bonita e profunda para se referir ao nascimento. Começamos a vida sendo dados à luz. Não fomos dados à treva, fomos dados à luz. Saímos da escuridão do útero para a luz da vida. Isso define, basicamente, nosso caminho, nossos passos, nosso tempo, nosso espaço, nosso ser, nosso existir, nossa fé, nossa esperança e nossa caridade.

Fomos dados à luz para que, tomando consciência da luz vivamos da luz, pela luz, com a luz e como luz. Por natureza estamos voltados para a luz e temos a capacidade da luz porque fomos dados à luz. O fato de estamos voltados para a luz e termos capacidade da luz não significa que estejamos na luz ou sejamos luz. Estar na luz e ser luz não é algo automático e inato. Estar na luz é uma decisão. A propensão de todas às pessoas à luz é um facilitador maravilhoso, mas, isso não basta; é preciso querer. A existência da luz é uma graça incomensurável mas, mas deixar-se iluminar é uma busca interior. O alcance da luz é algo fabuloso e, sua velocidade, surpreendente, mas, aderir à luz não deve ser por medo das trevas. A intensidade da luz não importa; importa é que a luz é, sempre, luz.

A Sagrada Escritura nos ajuda a repensar a luz e a tomar decisão por ela. O horizonte mais importante que a Palavra de Deus apresenta, em relação à luz, é que ela foi a sua primeira obra, inaugurando o primeiro dia da criação. A criação da luz não pôs fim às trevas, mas estabeleceu limites e verdades: “Deus disse: ‘Que exista a luz!’ E a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa. E Deus separou a luz das trevas: à luz Deus chamou ‘dia’, e às trevas chamou ‘noite’. Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia” (Gn 1,3-5).

Tudo o que Deus criou é, não somente, obra de suas mãos, mas expressão do seu SER. Assim, quando cria a luz, Deus não, apenas, inventa a luz, mas, tira-a de dentro de si mesmo e a oferece ao mundo. A luz é, não só de Deus, mas, a luz é Deus porque, Deus é luz.

Decidir pela luz é um marco em nossa vida porque estabelece limites e verdades, como no ato criador de Deus: E Deus separou a luz das trevas: à luz Deus chamou ‘dia’, e às trevas chamou ‘noite’. Decidir pela luz é, também, uma ousadia diante das trevas que se impõem e ‘reclamam seu lugar’ no universo. Não há uma briga entre luz e trevas, mas, está claro que abrigam e permitem modos diferentes de vida!

Jesus é luz e, nele, a vida levada à sua plenitude: “No começo a Palavra já existia. Tudo foi feito por meio dela, e, de tudo o que existe, nada foi feito sem ela. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. Essa luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram apagá-la. Apareceu um homem enviado por Deus, que se chamava João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas apenas a testemunha da luz. A luz verdadeira, aquela que ilumina todo homem, estava chegando ao mundo” (Jo 1,1-9).

Fomos dados à luz, mas, nos falta decisão de luz! Por isso, somos, constantemente, chamados à atenção para voltarmos nossa vida a luz porque essa é a nossa origem e originalidade: “Não fiquem devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo. Pois, quem ama o próximo cumpriu plenamente a Lei. Comportem-se dessa maneira, principalmente porque vocês conhecem o tempo, e já é hora de vocês acordarem: a nossa salvação está agora mais próxima do que quando começamos a acreditar. A noite vai avançada, e o dia está próximo. Deixemos, portanto, as obras das trevas e vistamos as armas da luz. Vivamos honestamente, como em pleno dia” (Rm 13,8.10-14).

Somos flagrados vivendo as trevas! Isaías profetiza um tempo novo, movido por Deus: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam um país tenebroso” (Is 8,23-9-4). Paulo, convicto de que o Mistério da Cruz trouxe nova luz à fé porque em Cristo toda divisão foi superada, exorta aos cristãos para viverem unidos, de acordo uns com os outros, porque esse é o testemunho da Igreja-corpo (1Cor 1,10-13.17). Mateus insere a atividade missionária de Jesus como um tempo novo, de luz, na perspectiva da profecia de Isaías: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e uma luz brilhou para os que viviam na região escura da morte” (Mt 4,16).

Acreditemos: somos da luz! “Todos vocês são filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas” (1Ts 5,5). “Outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no senhor. Por isso, comportem-se como filhos da luz” (Ef 5,8).




Padre Edivaldo Pereira dos Santos
E-mail: diditaruma@hotmail.com
Paróquia de Tarumã - SP





















































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