O tempo incomoda e realiza, satisfaz e implica, ocupa
e preocupa. O tempo é o berço de nossa
existência. Nada é mais difícil
para qualquer pessoa do que usar bem o tempo. Nunca
temos tempo! Entretanto, vivemos de esbanjar o tempo.
Temos dificuldade em administrar o nosso tempo de
maneira sóbria e responsável.
A filosofia sempre pensou o tempo. Heiddegger fez
uma grande revolução com o Ser e o Tempo.
As pessoas vivem dizendo: “o tempo é
o melhor remédio”; alguém já
disse: “o tempo é o senhor da história”;
já ouvi alguém, também, dizendo:
“tempo é dinheiro”; o livro do
Eclesiastes diz: “Debaixo do céu há
momento para tudo e tempo certo para cada coisa...”
(3,1ss); a mentalidade bíblica fala de (Kairos)
Kairós: tempo de Deus, momento oportuno e propício;
a carta aos Gálatas afirma: “Quando,
porém, chegou a plenitude do tempo, Deus enviou
o seu Filho...” (4,4) O tempo nos expõe
a muitas mudanças. No tempo em que estamos
(na família, no trabalho, na enfermidade...)
está sob a força e os desafios da mudança.
O tempo sempre foi uma questão incômoda
para todos nós. Não sabemos lidar com
suas idas e voltas. Porque não dominamos o
seu ritmo, por vezes perdemos o controle sobre nós
mesmos, sobre situações e acontecimentos
do nosso cotidiano. De fato, há sempre uma
mistura complexa de sentimentos em torno do passado,
do presente e do futuro.
Na fé o que importa é o movimento da
palavra na vida e na história, num verdadeiro
processo de conversão. Deus se revela em nossa
história, por isso, nossa história é
História de Salvação. Deus caminha
conosco!
É preciso consagrar o tempo (horas, dias, semanas,
meses, anos) para que os acontecimentos e a vida não
fiquem, apenas, nas lembranças do passado.
Há muitos que pensam que têm o tempo
todo do mundo para tudo. Estão enganados. O
tempo foge; escapa. O tempo é insuficiente
para quem não aprendeu a usá-lo de modo
responsável e verdadeiro. A esses e, a todos,
é preciso dizer: “Desperta tu que dormes
e Cristo te iluminará” (cf. Ef 5,14).
De fato, o tempo é breve e urgente! É
preciso despertar. Não dá para ficar
esperando acontecer! A hora já vai avançada!
“Tudo requer tempo. O Tempo que dedicamos a
algo é a melhor medida do nosso interesse e
garantia do nosso aproveitamento. Deixar de fazer
algo como a desculpa ‘não tenho tempo’
equivale a dizer que o assunto ‘não me
interessa’. Nada nos custa tanto oferecer quanto
o nosso tempo.”
Estamos para iniciar a semana santa; um tempo oportuníssimo
para vivenciarmos o tempo de Cristo, como revolução
nas nossas escolhas, decisões e compromissos.
A semana é santa porque vamos consagrar cada
instante do nosso tempo para vivermos, na companhia
de Jesus, os últimos acontecimentos da sua
vida que culminaram com a morte na cruz e a ressurreição.
A semana será, tanto mais santa, quanto mais
consagrarmos cada dia à oração,
à escuta da Palavra de Deus, ao silêncio,
ao arrependimento, à confissão e à
conversão.
A semana santa é como um grande retiro popular.
Retire-se! Vem celebrar. Vem viver este tempo novo
da graça de Deus. Aproveite esta oportunidade
de olhar para Jesus e renovar a fé. Não
permita que ninguém tire isso de você.
Se você consagrar a semana santa, verá
que Deus já consagrou cada dia do ano para
acompanhar você em todos os lugares, situações
e necessidades.
A semana santa começa com o domingo de ramos
e progride até o domingo de páscoa.
Destaque devemos dar, na semana, ao Tríduo
Pascal. Este Tríduo começa com a Missa
da Santa Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa. Neste
dia é celebrada a Instituição
da Eucaristia e do Sacerdócio. Na Sexta-Feira
Santa celebra-se a Paixão e Morte de Jesus
Cristo. É o único dia do ano que não
tem missa, acontece apenas uma Celebração
da Palavra chamada de “Ação ou
Ato Litúrgico” No Sábado Santo
acontece a solene Vigília pascal. Forma-se,
então, o Tríduo Pascal, que compreende
a Quinta-Feira, Sexta-Feira e o Sábado Santo,
que prepara o ponto máximo da Páscoa:
o Domingo da Ressurreição.
A Festa da Páscoa ou da Ressurreição
do Senhor, se estende por cinqüenta dias entre
o domingo de Páscoa e o domingo de Pentecostes,
quando comemoramos a volta de Cristo ao Pai e o envio
do Espírito Santo. Estas sete semanas devem
ser celebradas com alegria e exultação,
como se fosse um só dia de festa, ou, melhor
ainda, como se fossem um grande domingo, vivendo uma
espiritualidade de alegria no Cristo Ressuscitado
e crendo firmemente na vida eterna.
Vamos viver a semana santa!

Padre
Edivaldo Pereira dos Santos
E-mail: diditaruma@hotmail.com
Paróquia de Tarumã - SP
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