Presas a preocupações minúsculas
e, quem sabe, insignificantes, as pessoas não
se dão conta da grandiosidade da existência
e profundidade da vida. Por isso não conseguem
se deter em questões que exigem reflexão,
conversão e compromisso. E a bem da verdade
a vida merece e precisa, mais investimento e melhor
empenho, de nossa parte, do que, realmente, estamos
oferecendo ou dispostos a oferecer.
Estamos em dívida conosco mesmo! Não
parece que estejamos ‘bem da cabeça’!
Já se espalhou, entre nós, uma verdadeira
inversão de valores e isso não parece
doer em nossa consciência; estamos nos fartando
de migalhas como se fosse um maravilhoso banquete;
estamos propagandeando a ilusão como se fosse
o anúncio de um grande sonho... materialismo,
hedonismo, status, poder, fama... estamos nos enchendo
de um grande vazio.
Estamos nos convertendo num grande abismo (que, acaba
atraindo outros abismos). Nada é suficiente,
o bastante, para matar a sede e a fome do quero mais
um pouco! Por mais de um pequeno instante, nada mais
consegue preencher, satisfazer, contentar ou realizar
nossos desejos e vontades que se tornaram soberanos.
O que se vê é que, a cada instante é
preciso mais de tudo para se obter um resultado cada
vez menor.
Alguns dizem que isso é falta de Deus! Eu digo
que não! Não é falta de Deus.
É idolatria. Um outro deus foi colocado no
lugar de Deus: o ego abismático de cada pessoa.
Para mim isso é uma doença: é
a Síndrome da Humanidade Oca. No fundo estamos
mortos! A vida perdeu o sentido! Estamos enterrados
vivos!
Veja como se expressa Ez 28,1-10: “Assim diz
o Senhor Javé: “o orgulho se apoderou
do seu coração e você disse: ‘eu
sou um deus, sentado em trono divino, bem no coração
do mar.’ Mas você é apenas homem
e não deus. Você acreditava que era igual
aos deuses. Você, de fato, é mais sábio
que Danel, e nenhum mistério é obscuro
para você. Com sua sabedoria e inteligência
você adquiriu riqueza e acumulou ouro e prata
em seus tesouros. Sua esperteza no comércio
é tão grande que você multiplicou
a sua fortuna e se elevou com a força da riqueza.”
Por isso, assim diz o Senhor Javé: “Você
igualou seu coração ao coração
de Deus. Pois bem! Vou trazer contra você os
mais ferozes povos estrangeiros: eles desembainharão
a espada contra s sua bela sabedoria e profanarão
seu esplendor; farão você descer à
cova e você morrerá de morte violenta,
vem no coração do mar. Será que
você ousará dizer diante de seus matadores:
‘sou um Deus’? Mas, você é
apenas homem e não deus, entregue ao poder
de quem o matará. Você terá a
morte de um incircunciso na mão de estrangeiros,
porque eu falei”, diz o Senhor!”
Não podemos viver a vida como se fosse um faz
de contas. Não é possível continuar
sem se colocar questões importantes; sem refletir
a vida; sem pensar profundamente a existência.
“Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando
e prosseguindo caminho para Jerusalém. Alguém
lhe perguntou: ‘Senhor, é verdade que
são poucos os que se salvam’? (Lc 12,22-23).
Essa pergunta é incômoda mas, parece
não incomodar muita gente. E, por que não
incomoda? Porque alguns acham que salvação
é assunto para depois (da morte)! Outros sustentam
que é uma invenção com a finalidade,
única, de controle social. Outros, que já
estão condenados. Outros, ainda, que já
estão salvos.
E você, sente-se incomodado ou se encaixa num
desses grupos?
Quem sabe esta seja uma questão vencida porque,
além de preocupados com questiúnculas
(coisas miúdas), estamos ocupados em aproveitar
a vida, nas medidas do tempo presente, já que
não existe total esperança para além
do túmulo; para depois da morte.
Mas a Sagrada Escritura assevera: “Se nós
pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, como é
que alguns de vocês dizem que não há
ressurreição dos mortos? Se nãohá
ressurreição dos mortos, então,
Cristo também não ressuscitou; e se
Cristo não ressuscitou, a nossa pregação
é vazia e também é a vazia a
fé que vocês têm (...).
Se a nossa esperança em Cristo é somente
para esta vida, nós somos os mais infelizes
de todos os homens” (1Cor 15,12-14.19). Ora,
o assunto sobre a Salvação é
assunto muito sério, profundo e pertinente
à vida de cada um de nós. Aliás,
deveria estar na boca, no coração e
na busca diária de cada um, como princípio
e fundamento de fé. Devemos nos colocar, diariamente,
como candidatos à salvação e
seguir a direção que a Palavra nos dá:
a) A Salvação pertence ao nosso Deus
e ao cordeiro (Ap 14,1-7.12-13); b) não ignorem
coisa alguma a respeito dos mortos (1Ts 4,13-18);
c) façam todo esforço possível
para entrar pela porta estreita (Lc 13,22-30); d)
estejam preparados! Fiquem vigiando! Porque vocês
não sabem a que dia virá o Senhor (Mt
24,37-44); e) façam da partilha um dom capaz
de destruir qualquer orgulho e apego às coisas
(Mc 10,17-22).
A Salvação é Plano de Deus e,
ninguém é obrigado a aceitar. Mas, quem
o aceita está chamado a uma vida que tem sentido
e valor, neste mundo e depois do túmulo. Eu
creio na vida eterna, escrita pelo sangue de Cristo
em nosso corpo mortal.

Padre
Edivaldo Pereira dos Santos
E-mail: diditaruma@hotmail.com
Paróquia de Tarumã - SP
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